sábado, 25 de março de 2017

A Magra que não há em mim - Plataforma CAPAZES




A ler aqui



De quando dizemos Nome


*Para S.


O nome que damos às pedras
não é o mesmo nome que damos aos dedos
- quando dizemos

d
e
d
o


nem o nome que damos ao corpo
- quando dizemos
c
o
r
p
o

nem língua
- quando língua é dita
l
í
n
g
u
a




O nome que te dou a ti não é o mesmo que dou às pedras
aos dedos
ao corpo
ou à língua



talvez porque todos os nomes do mundo
 sejam só isso: nomes.



Há uma hora no mundo em que o nome deixa de ser nome
e passa a ser uma parte de um braço
de um corpo
ou de uma pedra no rio

e tudo ocupa o seu lugar
- como se para tudo houvesse um lugar.



O nome é um lugar e quando é parte,
só ele habita o mar.






sexta-feira, 17 de março de 2017

Festival de télévision Europeen de Programmes Religieux (crowdfunding caseiro)



Caros amigos, 

estou a tentar levar o documentário "O Padre das Prisões" a um concurso internacional. Chama-se "Festival de télévision Europeen de Programmes Religieux" e podem ler aqui.

Portugal, ao que sei, nunca participou.

Preciso por isso de 900 euros (e isto é literalmente um peditório para a legendagem, tradução, inscrição do filme, inscrições pessoais e meios). 

PEÇO A VOSSA AJUDA já que a inscrição neste festival só pode ser feita até 24 de Março!!!! 


O meu nib é: PT50 0035 0824 0069 9632 7001 3.
Se não atingirmos os 900 euros até domingo o estorno é feito por mim aos próprios.
Enviem comprovativo para eu poder controlar os recebimentos para: inesjleitao@gmail.com
OBRIGADA!!!!!!



quinta-feira, 16 de março de 2017

Moderação na 5ª sessão do Curso Pós-Graduado em Direito e Cinema | 22 março




No próximo dia 22 de março (quarta-feira), às 19h30, terá lugar a quinta sessão, na sala 12.32 da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa (piso 2).



-        A mulher homicida na jurisprudência e no discurso mediático: contrastes (Inês Ferreira Leite)

-        A mulher como instigadora: desconstrução da “femme fatal” (Helena Morão)

-        Discursos sobre o crime e a Justiça: dos/as juízes/as às perspetivas exteriores ao sistema (Andreia Castro Rodrigues)

-        Debate

Moderação: Inês Leitão



Dia 21 de Março - CAPAZES DE CELEBRAR A POESIA



Dia 21 de março vou estar por aqui!
Entrada Livre



quinta-feira, 9 de março de 2017

A parte boa de amar alguém não é só ver-te dormir







A parte boa de amar alguém não é só ver-te dormir e imaginar quem te vai dentro da cabeça, 
no lugar onde os olhos se reviram
e o cérebro mora.


A parte boa de amar alguém não é só esperar por ti no metro com a certeza que vens neste, que é o teu corpo o primeiro a sair para me abraçar
que és tu à minha procura quando as portas se abrirem e todos se movimentarem acotovelados de cansaço
 - todos menos nós,
 por nos termos um ao outro.



A parte boa de amar alguém não é só o cheiro que a tua pele traz com ela e dorme na almofada a olhar para mim; nem é só ver-te as calças a escorregar pelo rabo quando o cinto não está na presilha certa-  e eu me rir de ti - e achar-te meio meu.


A parte boa de amar alguém é cozinhar para ti, é ter ciúmes, é viajar contigo e dizer-te que o tampo da sanita ficou levantado pela centésima vez - sabendo que não ouves.


A parte boa de amar alguém não é só saber o que tu pensas antes de o teres pensado,
nem saber que vais pedir café cheio
 com metade de um pacote de açúcar
 e um copo de água que só fará companhia à chávena triste em cima da mesa
que nos ouvirá rir o resto da tarde.

A parte boa de amar alguém não é só deixar-te adormecer no sofá porque estavas exausto e tentaste aguentar até ao final da série: a parte boa de amar alguém não é só escrever-te poesias e ler-tas como se fossem flores:
 a parte boa de amar alguém é um dia quando não me amares mais.


A parte boa de amar alguém é sobreviver à partida, é contornar o desgosto com a certeza que saberemos ser sempre assim;
que saberemos sempre tocar com eternidade na ponta dos dedos - e que saberemos sempre conduzir eternidade à pele que é tocada.


A parte boa de amar alguém é estar aqui contigo a achar que isto nunca mais vai acabar,
ainda que um dia tu te apaixones e as tuas pernas me deixem sozinha e a terra me engula.


A parte boa de amar alguém é guardar sempre as cartas com as palavras lá dentro.
A parte boa de amar alguém é guardarmos a certeza que existimos.




segunda-feira, 6 de março de 2017

Das boas cartas de Amor





Se o vires, diz-lhe que o tempo dele não passou;
que me sento na cama, distraída, a dobar demoras
e, sem querer, talvez embarace as linhas entre nós.
Mas que, mesmo perdendo o fio da meada por
causa dos outros laços que não desfaço, sei que o
amor dá sempre o novelo melhor da sua mão. Se

o encontrares, diz-lhe que o tempo dele não passou;
que só me atraso outra vez, e ele sabe que me atraso
sempre, mas não demais; e que os invernos que ele
não gosta de contar, mas assim mesmo conta que nos

separam, escondem a minha nuca na gola do casaco,
mas só para guardar os beijos que me deu. Se o vires,

diz-lhe que o tempo dele não passa, fica sempre.



Maria do Rosário Pedreira