domingo, 29 de dezembro de 2013

Da casa e do corpo





Devia ter a coragem para contar-te que hoje sou eu. Não és tu, nem o teu corpo numa Lisboa feita de Inverno como nós naqueles dias: hoje é o meu corpo e o que eu tenho cá dentro
(passou um ano)

Tento ter a força de levar o que é meu, para um caminho novo que surgirá quando abrir os olhos
- sim, os meus olhos vão abrir e nunca mais me vou lembrar
os olhos a abrir dentro de água, o líquido e o que ele protege


O corpo a mudar,
 a mexer-se,
 a crescer por dentro até ao dia da aniquilação; e um sinal da cruz que sai pela indicação do polegar,
a nascer da testa ao queixo,
a cruzar a cara quente em sinal de perdão.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

E se debaixo desta dor não houver grito?




Naquele dia nasceram-lhe ramos na cara,
ramos pelas mãos,
de dentro dos braços onde não há força nem norte: do lado esquerdo da cabeça.
Tu não vieste.


O lanugo que nascia da pele. após a primeira ausência, lembrava-me que o desenho da angustia
que se escrevia do avesso, no meu corpo, ainda mal começara.