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A mostrar mensagens de Outubro, 2011

Uma sala vermelha e um quadro perfeito

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Da confissão O sentido de voto do meu corpo é agora tutelado por uma entidade externa, um outro corpo  adicionado ao meu.
Da pertença A tua biblioteca com os olhos postos em mim desde que entrei na tua sala, os teus livros a dizerem entre si que nunca me tinham visto (quem é aquela?) a prenderem a respiração ao meu toque como se tu fosses o seu único digno proprietário e eu 
(uma pequena invasora) 
uma pequena invasora que os agarra docemente com as ponta dos dedos
 à laia de carícia; alguém feito de carne, pele, ossos e unhas que lhes abre as folhas para os saber por dentro.
Do Martírio Explicar ao meu corpo que se podia acalmar e que sobreviveria sem ti se um dia o teu quarto cor de fruta desaparecesse da nossa frente para sempre e os teus olhos nunca tivessem existido
(o medo dos teus olhos a questionarem os meus)

Do sofá preto que fala Explicar as saudades e a dor no peito. Explicar o verniz ruído na ponta das unhas. Explicar os armários azuis-escuros da tua cozinha. Explicar o teu quadro e a…