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A mostrar mensagens de Maio, 2011

Dedicado a Lídia Jorge (e ontem finalmente entregue pessoalmente à escritora)

Imagem
(*texto também publicado em www.bocadosdecarne.blogspot.com/www.prazeresminusculos.blogspot.com)


Foi no Marquês que Lídia passou por mim: a sua pele hidratada, os seus cabelos cor de trigo espetados no pescoço à laia de espadachins de ferro; o seu casaco, o seu corpo de costas. Lídia trazia o DN na mão direita.

Lídia Jorge não me disse adeus e seguia tranquila como se a avenida da Liberdade fosse sua, como se o passeio fosse a imensa continuação das suas magras pernas brancas.
Lídia trazia um casaco branco e os meus dedos quiseram tocar-lhe as pontas dos espadachins da cara. No momento em que me viu, Lídia Jorge disse: - conheço-a?

E uma mulher pequena deixou cair a carteira.


Eu queria tanto tocá-la, Lídia. A sua pele branca a cheirar a jasmim, o seu casaco branco até aos joelhos à laia de dama vicentina que se protege dos outros, o rigor das suas calças pretas, os seus olhos pequenos escondidos atrás dos óculos escuros
(os seus olhos do outro lado da pele)
as minhas mãos a quererem to…