quinta-feira, 21 de abril de 2011

O Bom Amor

Abordar-te não era fácil
fazer-te gostar de mim não era fácil
ter-te levado ao meu restaurante favorito não foi fácil
mas eu gostava de ti.


ver a chuva cair sem te beijar não foi fácil
arranjar desculpas para passarmos por tua casa não foi fácil
esperar que me quisesses não era fácil
porque eu gostava de ti.

criar intimidade contigo não foi fácil
ouvir o teu corpo responder-me
ou esperar por ti no meu nunca foi fácil
mas eu gostava de ti.


dormir contigo ao telefone e tocar-me não era fácil
criar iglos imaginários em cobertores envelhecidos deixou de ser fácil
aceitar bons Invernos e vivê-los foi um caminho novo
(como o caminho a pé do Marquês a Sete Rios)
mas eu gostava de ti.

acalmar-me naqueles dias não foi fácil
adormecer
continuar
querer
por o meu corpo em privação por ti não foi fácil
porque gostar de ti não foi fácil
e viver sem ti não era fácil
( eu gostava de ti).

receber sms tuas não era fácil
não receber não era fácil
almoçar,
jantar,
viver naqueles dias sem saber se sim não era fácil
(mas eu gostava de ti).

o sol no jardim infantil,
o frio da relva nas costas
as tuas pálpebras na minha boca
e o espaço que ia de mim a ti a ser tão longe como um comboio com pessoas lá dentro
(mas eu gostava de ti).

e depois  a forma como bebias e eras gente
a forma como os copos chegavam até à tua boca sem tu saberes matemática
(2+2+2)
vinho até caires sem te veres cair
a falares sem te veres falar
(3+5+8)
porque tu às vezes não eras tu -e eu
(2+10+20)
gostar de ti era fácil
o telefone sem tocar
ou tocar sem seres tu não era fácil
mas eu gostava de ti.